Vida Inteira 

 Finitude

Como enfrentar o luto em tempos de pandemia

Como enfrentar o luto em tempos de pandemia

A ausência da despedida dos entes queridos pode trazer ainda mais sofrimento. Saber lidar com esse sentimentos é importante para a saúde mental.

A pandemia do novo coronavírus trouxe diversos impactos para a sociedade, inclusive nos processos de elaboração da morte. O luto, que de acordo com o teórico John Bowlby é um processo natural que ocorre em reação a um rompimento de vínculo, tem sido vivenciado de uma forma diferente nesse cenário: sem encontros e abraços de acolhimento. 

Cada pessoa tem uma forma de elaborar a perda, variando os sentimentos – tristeza, raiva, revolta, negação, etc – e o tempo de manifestação de acordo com a singularidade de cada um. Mas a impossibilidade de participar de rituais fúnebres, como velar e enterrar pessoas queridas que se foram, pode trazer sofrimento e angústia para muita gente. As despedidas são importantes para ajudar na elaboração e organização dos sentimentos de quem fica, pois lidar com o vazio da perda é bastante desafiador. 

Escrever, conversar com amigos e conectar-se com a espiritualidade são algumas pequenas ações que podem ajudar nesse momento. 

Caso você precise de ajuda ou queira apoiar alguém na organização de um ritual de despedida nesse contexto da pandemia, acesse os guias a seguir: 

Como as perdas da vida podem ajudá-lo a crescer

Como as perdas da vida podem ajudá-lo a crescer

Perdas e ganhos fazem parte da vida e do nosso processo de amadurecimento. Mais do que nunca, esses tempos de pandemia estão colocando as pessoas à prova dos seus próprios limites, inclusive em relação às perdas. Perda de emprego, de um ente querido em função da Covid-19, da estabilidade emocional, financeira, da esperança e da rotina. Na contramão das perdas, vieram a ansiedade, angústia e medo. 

Independente do tipo de perda, fato é que as pessoas dificilmente estão preparadas para os percalços da vida. E ignorar o problema só o torna maior. É preciso assimilar a perda e vivê-la para que a pessoa consiga tirar dela algum proveito, uma lição de vida que vai ajudá-lo a seguir adiante. E sempre há o que se aprender, basta que você observe a questão com olhar mais atento, que vai além do problema em si. 

Nesse quesito, os 60+ se destacam. Os anos de vida já trouxeram a resiliência e a coragem necessárias para encarar de frente as adversidades. Isso não significa que os maduros não sofram, quer dizer apenas que a experiência apura o olhar e as reações diante dos acontecimentos. 

Alguns tipos comuns de reações às perdas

Não aceitação – Quando a pessoa ignora o problema, o coloca para debaixo do tapete. Traz ainda mais sofrimento e, muitas vezes, vitimismo e agressividade; 

Aceitação – Não é fácil, exige coragem, mas é o melhor a se fazer. Não finja que o sofrimento não existe, viva-o. Caso contrário, em determinado momento da sua vida, ele pode voltar ainda mais forte;

Gestão da perda – É quando a pessoa tem a capacidade de ressignificar aquela perda, olhando os aspectos positivos e negativos que a falta trará. Isso ajuda a ver os problemas de forma abrangente e racional, sem apequenar a perda e nem fazer dela um fantasma;

Aprendizado – Lembre-se de que todo sofrimento ou perda traz uma lição que te deixa mais forte e preparado para a vida. Encare dessa forma para que o aprendizado seja construtivo e menos doloroso. 

Quer saber mais sobre esse tema? Clique abaixo. 

Plano de Vida e Legado – Pesquisa Janno

Plano de Vida e Legado – Pesquisa Janno

Ter consciência da própria finitude pode ser um processo doloroso, mas também pode ser mais ameno com planejamento e organização. A Janno, startup que nasceu com a missão de ajudar as pessoas a viverem bem planejando o legado com leveza e independência, realizou uma pesquisa para compreender melhor como os brasileiros 50+ tem pensado sobre o assunto. 

Considerando que já temos mais de 50 milhões de brasileiros com mais de 50 anos e que cada vez mais essas pessoas estão querendo qualidade de vida e liberdade, a pesquisa buscou entender o que mudou nos planos de vida de quem hoje atinge a maturidade.

Foram entrevistadas 1.053 pessoas acima de 45 anos de todos os estados brasileiros e de todas as classes sociais, que puderam expressar suas opiniões e desejos sobre finitude e legado. 

Nos resultados da pesquisa é possível encontrar:

Plano de Vida: como os brasileiros 50+ pensam e se planejam para o futuro e seus principais medos e desafios;

Reflexões sobre o fim da vida: como os brasileiros 50+ refletem e discutem sobre a morte;

Contexto Covid-19: o que mudou no planejamento de fim da vida com a pandemia do Covid-19;

Planejamento da Finitude: como os brasileiros 50+ se planejam para o fim da vida, organizam seus documentos, o que pensam sobre testamento vital e principais produtos e serviços. 

Clique no link para conferir o relatório completo e conhecer mais sobre a Janno.

Rede Paliativo BH

Rede Paliativo BH

Por Juliana Duarte

Na maioria dos países onde a Covid-19 se disseminou, como faz agora no Brasil, houve rápida saturação do sistema de saúde, levando à sobrecarga do mesmo e à insuficiência de cuidados a pessoas que poderiam ter tido alguma chance de sobreviver.  Muito foi veiculado na imprensa internacional, a respeito do uso de marcos etários, eticamente muito discutíveis, para definir o acesso ou não à terapia intensiva. 

Não é ético deixar de oferecer os serviços de saúde aos mais velhos, simplesmente tendo como base a idade!

Do ponto de vista da saúde, sabemos que a velhice é extremamente heterogênea. Uma parte considerável das pessoas com mais de 80 anos, por exemplo, gozam de boa saúde,  tem poucas doenças, são ativas e tem uma reserva física suficiente para se recuperarem de situações graves e, até mesmo, de uma insuficiência respiratória. É essa capacidade de se recuperar frente a uma situação de maior gravidade, que deve definir a qual complexidade de tratamento a pessoa deverá ser submetida. 

Quando a pessoas tem a saúde fragilizada, apresenta diversas doenças crônicas, já se mostra dependente dos outros para a maior parte de suas necessidades básicas (como comer ou se locomover), provavelmente, diante de uma doença aguda grave, seu organismo sucumbirá e, um tratamento agressivo, fará mais mal do que bem. 

O que quero dizer com isso é que a idade não nos diz bem qual será o resultado do encontro de uma pessoa com uma doença infecciosa e potencialmente agressiva, já a fragilidade sim, essa nos diz. 

Uma área de atuação em Medicina que vem crescendo muito nos últimos anos é a Medicina Paliativa. O médico Paliativista cuida das pessoas em um momento de grande sofrimento, quando elas se encontram diante de doenças graves e ameaçadoras da continuidade da vida. Os médicos que atuam nessa área da medicina utilizam como um norteador de suas ações, o tratamento ideal para a pessoa em determinado momento, e sabe, que diante das doenças graves, esse tratamento muda constantemente. O tratamento não pode ser maior ou menor que a reserva de saúde da pessoa, se for menor, erra-se pela falta, se for maior, pelo excesso. Na medicina paliativa, o cuidado às pessoas que caminham para o fim de suas vidas, é atento aos mínimos detalhes e busca fazer com que o sofrimento seja minimizado e que a dignidade seja priorizada em todos os momentos.

Os profissionais de saúde que estão na linha de frente da atenção à saúde, precisam ser apoiados, por especialistas, tanto para saberem identificar o nível de fragilidade de seus pacientes e conseguirem indicar o tratamento proporcional a ele, quanto para cuidar de forma adequada, confortando e controlando as situações que se apresentarem nos momentos finais de vida, garantindo dignidade ao doente e sua família. 

Percebendo o enorme desafio da nossa população frente a esta pandemia, um grupo de 42 médicos de Belo Horizonte, especialistas em Medicina Paliativa e/ou Geriatria, com forte atuação nessa área, se organizou para multiplicar esse cuidado especializado. O trabalho se apoia em dois eixos, a tele-consultoria e a educação, e é direcionado aos profissionais da linha de frente da assistência. Essa iniciativa se chama Rede Paliativo BH e, os profissionais de saúde que necessitam dessa ajuda, poderão entrar em contato através do email redepaliativobh@gmail.com ou da conta @RedepaliativoBH no Instagram. 

O que é Testamento Vital?

O que é Testamento Vital?

Você já ouviu falar em Testamento Vital? Esse tipo de documento, ainda pouco conhecido no Brasil, é uma forma de registrar os desejos de uma pessoa, caso ela precise de cuidados, tratamentos e procedimentos quando estiver com uma doença grave ameaçadora da vida. O documento é válido para situações em que não há possibilidades de tratamento para cura e a pessoa não está em condições de decidir, cabendo à família e equipe de saúde tomarem decisões.

Este registro tem como objetivo assegurar a autonomia, dignidade e respeito às escolhas de cada um, mesmo em momentos mais delicados.

💡 Testamento Vital é um documento que serve para auxiliar a sua família e seu médico a tomarem decisões de cuidados com a sua vida que permitam respeitar o que você considera importante. 

Quer saber mais? Clique no link abaixo.

Cuidado paliativo: tema necessário para o momento atual

Cuidado paliativo: tema necessário para o momento atual

Por dra. Juliana Duarte

Muitas vezes a palavra Paliativo é entendida como algo temporário, como uma medida substituta de outra mais definitiva, ou até mesmo como “dar um jeitinho”. Cuidado Paliativo não é nada disso, e é importante que você conheça melhor essa forma de cuidar, da qual, a maioria de nós precisará um dia. 

A origem verdadeira de Paliativo é a palavra latina palium. Palium significa manto e, historicamente, assim eram chamadas as capas usadas pelos cavaleiros das Cruzadas para se acolher das intempéries. É esse o sentido que se evoca nos cuidados paliativos, um manto que acolhe, cuida e protege as pessoas, em seu momento de maior sofrimento e fragilidade. 

Do ponto de vista da vitalidade, o ciclo de vida de nós, seres humanos, é composto pelo nascimento, crescimento e desenvolvimento, estabilização relativa, e a redução progressiva dessa vitalidade até a morte física. 

Para cada uma dessas fases vitais, os objetivos dos cuidados com a saúde são e devem ser diferentes. O Cuidado Paliativo entra em cena quando a pessoa está diante de uma doença incurável e vai ganhando maior espaço de atuação, a medida que a doença progride. 

Uma pessoa diante de uma doença incurável, experimenta muito sofrimento. A dor é total, ela tem origem no corpo, na psiquê e na alma. É comum haver, além da dor, falta de ar, falta de apetite, tristeza, medo, raiva, vergonha e angustia existencial. Em cada momento, a figura de cuidado mais necessária, muda: ora o mais importante é o médico, ora é o psicólogo, ora o enfermeiro, ora o nutricionista, ora o assistente social, ora o capelão ou conselheiro espiritual, e etc. O cuidado paliativo deve ser feito em equipe e todos os profissionais são igualmente importantes para conseguirmos oferecer uma atenção holística. 

Para realizarmos um cuidado paliativo de qualidade, precisamos ouvir, acolher e cuidar também dos familiares e outras pessoas com vínculo afetivo com a pessoa doente. Quando sofre uma pessoa, sofre junto quem congrega com ela sentimentos, planos e uma história de vida. 

Quem se dedica a realizar cuidados paliativos tem uma tendência enorme à empatia, costuma ser atento aos detalhes que envolvem o bem estar humano, em suas dimensões física, psíquica, social e espiritual, e dá muito valor ao tempo.

Todos nós somos seres “terminais”, pelo menos na esfera física. Começamos a “terminar” no dia que nascemos. A única diferença entre quem não tem uma doença incurável e quem tem, é que quem está doente tem seu tempo de vida mais bem delimitado e os outros não. 

Os outros costumam viver com uma certa ilusão de eternidade. Para quem tem seu tempo mais delimitado, cada minuto vale muito! Um minuto com dor é uma eternidade e um momento de alegria, também. 

Para realizarmos um cuidado paliativo de qualidade precisamos compartilhar muitas coisas. As decisões devem ser compartilhadas entre a pessoa doente, a família e a equipe de saúde. Devemos compartilhar informações de forma compassiva entre todos os envolvidos, precisamos construir uma comunicação que trata e acalenta. 

O momento que estamos vivendo é de grandes incertezas mas, é importante termos clareza a respeito de alguns pontos que vem sendo difundidos pela mídia em geral, assim evitamos muito sofrimento. Um ponto importante é entendermos, que o uso de critérios etários para se definir a qual pessoa o recurso de saúde será fornecido, não é ético, legal e nem correto do ponto de vista da ciência. O conhecimento a respeito desse campo de atuação e estudo pode e deve auxiliar na compreensão e na definição a respeito do nível de complexidade ao qual, uma pessoa doente deve ser submetida, de acordo com sua capacidade de recuperação. 

Felizmente, os profissionais que se dedicam aos cuidados paliativos no Brasil vem se multiplicando e o número de hospitais, clínicas e serviços de atenção domiciliar que realizam esse trabalho, também vem crescendo. Ainda assim, precisamos de mais pessoas envolvidas e, de que a sociedade compreenda e incorpore ainda mais, essa maneira de cuidar, tão necessária e nobre, ao dia a dia da assistência à saúde.