Vida Inteira

Mais autoconhecimento e sentido para os 60+

Consciência e autonomia para tomadas de decisões, novos significados para a vida, revisão de prioridades e autocontrole.

Como enfrentar o luto em tempos de pandemia

Como enfrentar o luto em tempos de pandemia

A ausência da despedida dos entes queridos pode trazer ainda mais sofrimento. Saber lidar com esse sentimentos é importante para a saúde mental.

A pandemia do novo coronavírus trouxe diversos impactos para a sociedade, inclusive nos processos de elaboração da morte. O luto, que de acordo com o teórico John Bowlby é um processo natural que ocorre em reação a um rompimento de vínculo, tem sido vivenciado de uma forma diferente nesse cenário: sem encontros e abraços de acolhimento. 

Cada pessoa tem uma forma de elaborar a perda, variando os sentimentos – tristeza, raiva, revolta, negação, etc – e o tempo de manifestação de acordo com a singularidade de cada um. Mas a impossibilidade de participar de rituais fúnebres, como velar e enterrar pessoas queridas que se foram, pode trazer sofrimento e angústia para muita gente. As despedidas são importantes para ajudar na elaboração e organização dos sentimentos de quem fica, pois lidar com o vazio da perda é bastante desafiador. 

Escrever, conversar com amigos e conectar-se com a espiritualidade são algumas pequenas ações que podem ajudar nesse momento. 

Caso você precise de ajuda ou queira apoiar alguém na organização de um ritual de despedida nesse contexto da pandemia, acesse os guias a seguir: 

Como se conectar com a sua espiritualidade

Como se conectar com a sua espiritualidade

Autoconhecimento e a prática de atividades que tranquilizam a mente refletem na boa saúde do corpo e da alma.

Buscar sentido para a vida por meio do autoconhecimento e da conexão com Deus ou alguma outra entidade que você acredite é o que chamamos de espiritualidade. É a tentativa dos homens de se conectar, por meio de energia, fé e crença com algo transcendente e maior que nós mesmos. 

A espiritualidade não está necessariamente ligada a uma prática religiosa. Ela pode ser uma jornada individual, em que cada pessoa atribui vivências e significados próprios para descrever essa ligação não tangível com um ser ou força superior. É nessa conexão com o etéreo que, muitas vezes, as pessoas encontram resiliência para compreender momentos desafiadores da vida. 

Desenvolver ou mesmo descobrir a espiritualidade pode ser mais fácil do que você imagina. Afinal, apenas o fato de tomar consciência de que é necessário investir energia e tempo nisso já é um grande avanço. 

A primeira conexão com a espiritualidade vem do processo de autoconhecimento, de olhar para dentro, reconhecendo nossas potencialidades, fraquezas, nosso lado luz e sombra. E para te ajudar na sua conexão com a espiritualidade, aí vão algumas dicas:

Autocuidado

Parece óbvio, mas não é. Na correria do dia a dia as pessoas se esquecem de olhar para elas mesmas. Reserve um tempo para você. Faça uma meditação, essa prática ajuda a acalmar a mente, traz paz interior e reduz a ansiedade. Quando não estamos em paz, é difícil nos conectar com o que é transcendente/espiritual. 

Perdão

Somos seres holísticos – nosso corpo, mente e espírito estão conectados. Feridas na alma, quando não resolvidas, se refletem em doenças no corpo. E o perdão talvez seja uma das mais poderosas ferramentas de transformação no processo de espiritualidade e autoconhecimento. Perdoar a si mesmo é necessário para reduzir a carga e as cobranças internas. E perdoe o outro, é um gesto altruísta que nos aproxima da essência do que é o amor e nos conecta com nossa espiritualidade. 

Respeito

Tenha respeito por você e pelos outros. Aquela máxima de que não faça com as pessoas o que você não gostaria que fizessem com você é o maior exemplo de respeito por si mesmo e pelas pessoas. É um exercício de empatia se colocar no lugar de outra pessoa. 

Otimismo

Pensar de forma positiva transforma nosso cérebro, nos ajuda a ver sempre o lado bom das situações, por mais difíceis que elas pareçam. Otimismo e um belo sorriso no rosto são as melhores armas para enfrentar um dia ou uma fase ruim. Quando somos otimistas emanamos, mesmo que de forma inconsciente, energia positiva para as pessoas e expandimos nosso olhar para o mundo. 

Serenidade

Muitas vezes sofremos por situações que não podemos mudar e isso gera ansiedade e estresse. Acalmar nossa mente e coração é necessário para uma verdadeira ligação com a espiritualidade. A meditação pode trazer essa calma, mas ela também pode vir por meio de uma boa música, leitura, uma prece, uma caminhada na natureza, brincadeira com uma criança, a companhia do seu amor e tantas outras formas. É aquele momento ou pessoa que te tranquiliza, traz frescor para a alma e revigora suas energias. 

A organização da rotina como ferramenta de transformação

A organização da rotina como ferramenta de transformação

Mais do que nunca, é preciso organizar a rotina e planejar o cotidiano para manter a saúde física e mental durante a pandemia. Confira o que você pode fazer para ganhar tempo e disposição.

Quando se pensa em rotina, muitos remetem à repetição maçante de ações cotidianas, entediantes e sem possibilidades de mudança. Realmente se for vivida assim, pode ser prejudicial. Exige compromisso de tempo e faz parte de um contexto cultural (AOTA, 2015), mas poucos sabem que existe uma forma diferente de olhar pra rotina: aquela que pode trazer satisfação e muitos benefícios, mesmo durante a pandemia. 

Pessoas mais jovens costumam jogar pedras nos compromissos e nas repetições cotidianas, sem prever o que é viver sem essa estrutura que direciona e organiza. Na verdade, o que parece pesar é o excesso de atividades obrigatórias, feitas sob pressão e em ritmo acelerado. Trata-se de uma realidade realmente desgastante, nada saudável. Situações desse tipo podem provocar o sentimento de aprisionamento ao próprio cotidiano, como se a pessoa não tivesse nas mãos as rédeas da própria vida. 

A alteração da rotina com a Covid-19

No contexto da Covid-19, o padrão de funcionamento diário virou de pernas para o ar, provando que o controle sobre nossos “destinos” é relativo. Certamente um desafio para todos, independentemente das variações de cada contexto pessoal. A sensação de não conseguir dominar os processos e chegar ao final do dia frustrado (a) tende a ser maior nesse momento, sentimento coerente com os enfrentamentos atuais. Não é possível esperar de si ou do outro o mesmo desempenho nas atividades diárias.  

Quando as peças da sua rotina se embaralham ou sofrem uma grande turbulência, como no caso da Covid-19, é preciso haver um movimento de reconstrução, reorganização e também de ressignificação das atividades, pois enquanto algumas deixarão de ser feitas, outras passarão a fazer parte da vida atual. Uma mudança profunda que para muitos envolve alterações em diversas áreas da vida, como a relação com a família e com os amigos, finanças, saúde mental e física, carreira, etc. 

Por que a rotina é importante 

Segundo Kátia Bueno (2019), é na rotina que transcorre a vida corriqueira, o comum e frequente que nos acompanha. O feijão com arroz, em que a maior parte da vida acontece. E isso não é menos importante que os momentos raros como os finais de semana, feriados, férias e festas. Viver esperando por eles é jogar a maior parcela da sua vida no lixo. Por isso, é tão importante aprender a analisar e transformar a rotina de forma que ela gere sentido, prazer e saúde. Durante a pandemia, o raciocínio é o mesmo, mas agora deve ser revisto e reaplicado sobre a realidade que se abriu. 

Um olho no peixe e o outro no gato. Tanto uma rotina esvaziada demais quanto uma cheia demais são potenciais de adoecimento. Faça a própria análise do seu perfil ocupacional e ajuste as escolhas para que elas favoreçam a longevidade com saúde e bem-estar. Afinal, isso não se define pela sua idade, nem pela pandemia. 

Os 60+ e a adaptação da rotina

Antigamente, havia uma tendência de que pessoas acima de 60 anos e/ou aposentadas começassem a se recolher progressivamente em casa, com uma rotina cada vez mais empobrecida. Felizmente, isso tem mudado de forma radical! Cada vez mais, mais pessoas maduras estão colocando as asas para fora e mostrando ao mundo que têm muito a contribuir e querem continuar participando do jogo. Quanto mais ativos e presentes eles estiverem, melhor será nossa sociedade.  Mesmo em isolamento isso pode e deve acontecer. 

Por isso, atenção 60+! Não recuse com frequência os convites para encontros e comemorações, mesmo que agora sejam virtuais. Eles são fonte de vitalidade. O ser humano é um ser ocupacional e tem uma necessidade vital de estar em ação e em contato com outras pessoas. Aproveite a parada obrigatória para adquirir novas habilidades tecnológicas e ganhar independência e autonomia nesse universo que veio pra ficar. 

Oito formas de organizar sua rotina

Tire uma fotografia da sua rotina atual: baixe o quadro no site “Vida Organizada” de Thais Godinho, anotando em cada espaço de hora, a atividade principal realizada naquele momento durante uma semana: https://bit.ly/3c9Jtnx. Após fazer isso, colora cada categoria de atividade com uma cor diferente, de acordo com a classificação da AOTA (Associação Americana de Terapia Ocupacional, 2015) descrita abaixo. Visualizar como tem sido os seus dias amplia a capacidade de movimentar as peças da sua vida de forma mais assertiva. 

  1. Atividades de vida diária (AVD): inclui todas as atividades de cuidado com o corpo (adaptado de Rogers & Holm, 1994), como banho, alimentação, vestuário e atividade sexual;
  1. Atividades instrumentais de vida prática (AIVD): são realizadas dentro de casa e na comunidade, como por exemplo limpar, cozinhar, cuidar de outras pessoas e de animais domésticos, dirigir, ir a consultas médicas, gerenciar as finanças e a casa como um todo;
  1. Descanso e sono: refere-se a atividades de relaxamento, sem envolver esforço físico, mental e social, mas inclui também o preparo para dormir e o sono em si; . 
  1. Educação: qualquer atividade que envolva o meio educacional, aprendizados formais e informais, como cursos diversos de gastronomia, arte, tecnologia, etc;
  1. Trabalho: envolve a busca de emprego, o preparo para assumi-lo, desempenho no trabalho que pode ser também voluntário e a preparação para se desligar dele, aposentar-se;
  1. Brincar: “Qualquer atividade espontânea e organizada que ofereça satisfação, entretenimento, diversão e alegria” (Parham & Fazio, 1997, p 252). Pode acontecer de diversas formas: exploratória, intencional, construtiva e simbólica;
  1. Lazer: “Atividade não obrigatória que é intrinsecamente motivada e realizada durante o tempo livre, ou seja, o tempo não comprometido com ocupações obrigatórias, tais como trabalho, autocuidado ou sono. (Parham & Fazio, 1997, p. 250);
  1. Participação social: A participação social pode ocorrer pessoalmente ou por meio de tecnologias remotas, como telefonemas, interação com o computador e videoconferência.” Envolve o contato com a comunidade, família, pares e amigos. 

Assista à websérie “O amanhã é agora”, com 8 vídeos curtos que ajudarão a aprofundar nos conhecimentos necessários para trilhar com sucesso essa maratona da construção da longevidade com qualidade: https://bit.ly/2Pm8fXN 

Por Cecília Xavier

Como as pessoas idosas enxergam o atual momento

Como as pessoas idosas enxergam o atual momento

Um relato inspirador e verdadeiro em relação à pandemia, sob o olhar de uma pessoa 60+. Veja quais ensinamentos, desafios e constatações é possível extrair dessa nova realidade.

Pela TV, já tivemos oportunidade de assistir a programas, reportagens ou documentários sobre a vida e rotina de povos asiáticos. Lá, tirar os sapatos antes de entrar em casa ou usar máscara facial em público – seja por causa dos altos índices de poluição do ar ( na China mega industrializada, por exemplo), seja pelo aguçado senso de civilidade e cidadania desenvolvidos desde a tenra infância (no Japão e Singapura), é algo natural e rotineiro. A máscara é corretamente usada como proteção para uma pessoa que está gripada ou resfriada, já que protege a si e aos outros com quem interage e nas cidades por onde tantos transitam.

Mas, para nós brasileiros, “isso nunca passou pela cabeça” , como me disse em tom de “reclamação”, o porteiro do nosso prédio – um senhor muito experiente e bem disposto, aos 65 anos de idade, sendo os últimos 35 dedicados às funções de recepção e gentileza com os moradores e visitantes do condomínio. Incomodado com a tal da máscara, a qual se vê “obrigado” a usar, ele ajeita os óculos embaçados e diz que “não vê a hora disso tudo passar”. De fato, eu, como o “Seu” Nilton, nunca me imaginei numa situação dessa atual.

No entanto, ponderando,  temos que reconhecer tratarem-se, tanto a quarentena quanto o uso da máscara e a intensificação dos hábitos de higiene, de uma necessidade compartilhada por (quase) todos os habitantes contemporâneos do planeta, nos 5 continentes. 

Diante de uma pandemia dessas proporções, gerou-se uma tentativa de proteção ou diminuição dos riscos de contaminação direta, através do chamado ISOLAMENTO SOCIAL, do confinamento em casa, descaracterizando nossos hábitos de livre circulação, encontro, ajuntamento, trabalho, rotina diária, celebrações, etc. 

Como lidar com esta nova realidade

Como viver com o NOVO NORMAL que está se configurando nesse percurso de 2020 e cujos desdobramentos, para os anos vindouros, ainda desconhecemos?

Como nós, 60+, podemos/devemos encarar e enfrentar os desafios que nos são propostos (ou até impostos), sendo que fomos identificados e nomeados como GRUPO DE RISCO para o qual as restrições e recomendações são ainda mais severas?

Como “reaprender” a lidar com as manifestações de afeto, amizade, carinho, se nos é aconselhado nos apartarmos de abraços entre familiares e amigos, de beijinhos e chamegos nos netos; se somos forçados ao distanciamento do ciclo de amigos de longa data, das rodas de conversa, do trabalho fora de casa, das atividades mais corriqueiras como ir à feira, ou caminhar nas praças, ou ir à igreja participar da comunhão fraterna? Viagens e excursões a lazer, celebrações e festejos então, estão fora de cogitação por tempo indeterminado.  O que nos “restou”?

A nova velhice

Nós – os 60+ contemporâneos – temos sido estimulados a nos mantermos ativos, criativos, pró-ativos, participativos… e GOSTAMOS disso.

Até relativamente pouco tempo, não tínhamos o amparo de um “Estatuto do Idoso”, por exemplo, ou de outras políticas públicas de atenção e proteção. Atualmente, percebemos um movimento significativo de valorização dos idosos com ações que, podem parecer simples, mas que dão sinais de reconhecimento e relevância à nossa condição. Por exemplo: o passe livre nos transportes públicos e no acesso gratuito a vários eventos ou locais de entretenimento; prioridade no atendimento em bancos e nos estabelecimentos comerciais; vagas de estacionamento próximas aos acessos em hospitais, shopping centers, e condomínios comerciais ou particulares; acesso a associações e programas que promovem ações de convivência saudável, informação e promoção de conhecimento, bem estar, promoção da saúde física e mental. Enfim, várias propostas de inclusão, capacitação e cidadania para quem é identificado como “idoso”.

Envelhecer no século XXl: novos contornos e nova conotação

Tem surgido, cada vez mais, produtos e serviços específicos para nossa faixa etária. Os laboratórios químicos e farmacêuticos desenvolvem não só novos medicamentos e vitaminas para uma melhor qualidade de vida, mas cosméticos adequados ao nosso tipo de pele e cabelos, dentre tantas outras coisas. Constroem-se instrumentos e aparelhos que possibilitam ou melhoram nosso acesso, que facilitam nosso aprendizado e atualizam nossa necessidade, como livros impressos em letras grandes para facilitar a leitura (isto também se observou em embalagens e bulas de remédios) e telefones celulares (ou smartphones) com teclas grandes e “botão de emergência” para facilitar o manuseio e nos manter integrados às novas modalidades de comunicação. Surgiram muitos cursos e programas educacionais voltados para o público 60+ como, por exemplo, a ” Universidade da Terceira Idade”. Nas praças das grandes cidades têm sido instalados equipamentos de ginástica para estimular que nos exercitemos.

Afinal, o idoso ganhou visibilidade e uma nova identidade social

Felizmente, para muitos de nós, o acesso aos meios de comunicação contemporâneos nos permite realizar encontros e reuniões virtuais, seja com familiares ou amigos,  ou outros que tenham algo a compartilhar, aprender ou ensinar, ajudar e até cuidar. Por exemplo: os Conselhos Federais e Regionais de Saúde, autorizaram profissionais (médicos e psicólogos, a princípio)  a realizar consultas e atendimento de suporte e orientação à distância por telefone, whatsapp ou vídeo conferência. Certamente, o contato VIRTUAL ONLINE não é a mesma coisa que uma consulta presencial, mas, trata-se de uma adaptação, uma possibilidade alternativa para uma situação ou condição atual e provisória, para uma ajuda ou esclarecimento que nos seja útil e imediato.

Envelhecer EnvelheSendo

Envelhecer em tempo de Covid-19 é um desafio à RESSIGNIFICAÇÃO – isto é – encontrar novo significado e novas formas de resolver novos  e antigos problemas. Talvez, passando a envelheSER encontremos a melhor saída para essa nova normalidade. TEMOS QUE NOS REINVENTAR! É importante não resistirmos às mudanças e adaptações (as quais não escolhemos, mas nos sobrevieram), para nossa própria proteção e evolução. 

Três dicas importantes que tenho considerado para mim mesma:

  1. Manter o autocuidado: nossa atenção deve voltar-se para o cuidado pessoal agora – mais do que nunca, com ênfase em reforçar hábitos de higiene pessoal e do ambiente, respeitando os limites e adequações à quarentena;
  1. Expressar os sentimentos: também nos é aconselhável falar claramente dos nossos temores e preocupações, buscando o apoio adequado e as informações que serão determinantes para nossa segurança. Manter a tolerância e a paciência que geram perseverança para aguardar o tempo certo de voltarmos ao rítmo e atividades regulares, é sinal de saúde emocional;
  1. Dosar as notícias e controlar o medo: não devemos nos deixar contaminar por notícias sensacionalistas e alarmistas que geram medo e mal estar e , muitas vezes, não correspondem à realidade dos fatos. Veja o que a Cruz Vermelha recomenda: mantenha os hábitos de higiene pessoal de forma ainda mais intensa e responsável; faça uso adequado da máscara; tire os sapatos antes de entrar em ambiente fechado, mas PRINCIPALMENTE, NÃO DEIXE QUE O MEDO ENTRE EM SUA CABEÇA. “O medo cria pânico e torna-se num mal maior que o vírus”.

Cara e coroa: tudo tem dois lados

Apesar das inúmeras dificuldades e tristezas do momento, alguns efeitos positivos começam a ser notados por causa desse tempo de confinamento e redução do ritmo desenfreado a que vínhamos nos submetendo (e subjugando o planeta ).

  • A poluição sonora diminuiu, assim como a poluição do ar (com menos carros e ônibus circulando diariamente pelas ruas). A Consciência do ‘não desperdício’ e do descarte mais responsável resultou até na purificação das águas de muitos rios e lagos e até do mar, fazendo proliferar o número de peixes e seres aquáticos como a muito tempo não se via;
  • A solidariedade ganhou proporções significativas por todo o globo terrestre – das pequenas cidade às grandes metrópoles – com jovens se oferecendo para ir às compras de mantimentos para seus vizinhos idosos confinados, em nome de maior proteção para todos. Ouvem-se músicas e poemas nas varandas e janelas, serenatas diurnas para a vizinhança que, tantas vezes, era formada por desconhecidos.

Mesmo que ainda não tenhamos a plena compreensão do que se trata o tal do coronavírus,  mesmo que a vacina ainda não tenha sido descoberta e não esteja disponível para as populações, mesmo que ainda tenhamos que conviver por algum tempo com essa “sombra” que nos ameaça, mesmo que ainda tenhamos que aguardar mais algum tempo para retornar aos abraços, aos passeios e à roda de amizades, é fundamental que busquemos ver uma outra vertente que toda essa grande questão nos pegou de surpresa. 

Podemos ser maiores e melhores que as dificuldades e sairemos fortalecidos desta experiência, mais amadurecidos – mesmo que soframos algumas perdas, mesmo que vivamos o sofrimento gerado por uma ausência de um ente querido. Sairemos consolidados e mais conscientes da nossa humanidade, da nossa finitude, com princípios e valores reformulados, mais unidos e solidários pela dor e no amor e no respeito uns pelos outros.

Portanto, encontremos propósito, busquemos oportunidades e positividade, para que toda essa movimentação seja RENOVADORA E TRANSFORMADORA!

Saúde e paz!!!

C– convivência limitada, mas não impossibilitada. Criação de novas formas de encontro;

O– oportunidade de reinventar-se/ aprender/ expandir o olhar;

V– vida e vivências adaptadas a um novo modo e um novo tempo e contexto social, familiar e pessoal;

I– isolamento social gerando a oportunidade de introspecção e ressignificação da própria identidade;

D– direitos e deveres associando o bem estar pessoal e desejando o bem comum, desenvolvendo novas habilidades. 

Por Vanessa Torres – Representante 60+

Coronavírus e sexualidade para os 60+: sete dicas para soltar a criatividade

Coronavírus e sexualidade para os 60+: sete dicas para soltar a criatividade

Como os maduros podem aproveitar a quarentena para se conhecer melhor e explorar novas possibilidades com seus parceiros e os cuidados necessários nas relações sexuais e afetivas.

A sexualidade na maturidade ainda é um assunto que gera muitas dúvidas e preconceitos, apesar de ser mais abordado e bem aceito que em outros tempos. No decorrer dos últimos anos, o aumento da expectativa de vida e as mudanças no perfil das pessoas idosas – mais ativas e engajadas na vida social, cultural e econômica – colocou em pauta a sexualidade de uma forma ampliada, para além do ato sexual em si. Muitos profissionais começaram a compreender a importância da sexualidade após os 60 anos e a estimular formas variadas de satisfação dos desejos e prazeres entre os maduros. Diversos familiares passaram a aceitar que seus pais, tios e avós não são pessoas assexuadas e se abriram para conversar sobre o assunto de forma respeitosa e consciente; e os próprios 60+ se permitiram continuar vivendo sua sexualidade nessa nova etapa, compreendendo que a velhice não marca o fim do sexo.

A sexualidade no contexto do novo coronavírus

A pandemia trouxe uma situação delicada: como continuar vivendo a sexualidade no contexto em que beijos, abraços e carícias devem ser evitados para prevenir a transmissão do novo coronavírus? Como continuar demonstrando afeto sem poder tocar o outro por medo de ser contaminado? 

Primeiramente, é preciso entender o contexto. A Covid-19 é uma doença perigosa e ainda não temos uma vacina ou tratamento eficaz estabelecido, portanto a prevenção é de fato a melhor opção. Mas, isso não será para sempre! Há muitos estudiosos trabalhando para encontrar essas saídas que nos permitirão voltar a conviver com mais tranquilidade. Por enquanto, o fundamental a fazer é: 

  • Manter as rotinas de higiene pessoal e da casa;
  • Evitar, ao máximo,  sair de casa; 
  • Ficar em quarto separado, se o parceiro ou parceira apresentarem algum sintoma de Covid-19, como febre, tosse, perda de olfato ou paladar;

Sete dicas para soltar a  criatividade e imaginação nas relações sexuais 

  1. Valorize a intimidade: mantenha o carinho e respeito sempre ativos. Resgate memórias positivas do início do relacionamento e converse sobre as mudanças de maneira aberta, compreendendo que as adaptações em função do envelhecimento podem ser vivenciadas juntos;
  1. Pratique pompoarismo: a lei da gravidade, as mudanças de peso ao longo do tempo e gestações (no caso das mulheres) têm um efeito cruel sobre homens e mulheres: eles deixam a musculatura do assoalho pélvico “frouxa”. Para fortalecer e melhorar o tônus muscular é possível praticar alguns exercícios simples de pompoarismo;
  1. Se toque: a masturbação nada mais é do que o ato de tocar a si mesmo(a) com o objetivo de gerar prazer. Você pode aproveitar para se conhecer melhor, observando o que te faz sentir bem;
  1. Use lubrificante íntimo: problemas com a falta de lubrificação e ressecamento podem ser bastante incômodos. Uma alternativa simples para auxiliar nesse problema é o uso de lubrificantes íntimos que podem ser encontrados em farmácias ou sex shops;
  1. Aproveite os acessórios: alguns acessórios vendidos em sex shops online ajudam a ter mais prazer, inclusive após os 60 anos. Vibradores, por exemplo, podem ser ótimos para mulheres que não tem parceiros explorarem seu próprio corpo sozinhas. Casais também podem utilizar o acessório para agregar na relação sexual e compensar o tempo menor de ereção. Outro acessório interessante é o anel peniano, que ajuda a manter a ereção por um período maior, pois retém o sangue no pênis. Solte a imaginação e divirta-se!;
  1. Vá além da penetração: boca e dedos podem ser ótimos aliados na hora do prazer. Aproveite para tocar seu parceiro e praticar sexo oral;
  1. Estenda as preliminares: dedique um tempo maior para massagem corporal e masturbação mútua. Torne-as parte da relação sexual!

Sexo seguro

Não há comprovação de transmissão do novo coronavírus por meio da relação sexual, portanto ela não se configura como Infecção Sexualmente Transmissível (IST). No entanto, a prevenção de outras ISTs deve continuar, independente disso.

Embora a maioria dos casos de infecção pelo vírus HIV seja detectada na faixa etária de 25 a 39 anos, o número de infectados na faixa acima de 60 anos tem aumentado bastante. Dados do Boletim Epidemiológico HIV/Aids de 2018 do Ministério da Saúde indicam um aumento de 81% de casos nessa faixa etária (2006 a 2017), tanto em homens quanto mulheres. Muitas pessoas idosas demonstram resistência ao uso de preservativos (camisinha) pois tem uma série de crenças equivocadas: pensam que vão perder o tesão e a potência, que machuca, que não precisam se proteger pois não engravidam, dentre outras.  Além de saber que os homens continuam sendo férteis e podem engravidar uma parceira sexual que também seja, é fundamental compreender que, se utilizado da forma correta, o preservativo não machuca e previne uma série de doenças.

Conheça os sintomas de infecções sexualmente transmissíveis 

Apesar de existirem poucas campanhas preventivas voltadas para o público 60+, é importante que você se informe sobre como praticar sexo seguro e conheça mais sobre as ISTs para prevenir, reconhecer e tratar quando houver necessidade. Os principais sintomas que você deve ficar atento se praticou sexo sem proteção são: 

  • Ardência ou coceira: mais sentidas ao urinar ou nas relações sexuais. Há pessoas que sentem as duas coisas, outras somente uma e muitas pessoas não sentem nada e, sem saber, transmitem DSTs para seus parceiros;
  • Dor e mal-estar: embaixo do umbigo, na parte baixa da barriga, ao urinar, ao evacuar ou nas relações sexuais.

Para manter a vida saudável e prevenir doenças é fundamental usar sempre e corretamente a camisinha em todas as relações sexuais. Outras formas de prevenção consistem em não compartilhar agulhas e seringas com outras pessoas e só receber transfusão com sangue previamente testado. Algumas ISTs têm cura e outras – como a Aids – não. Mas, existem tratamentos que melhoram a qualidade de vida das pessoas infectadas.

Aproveite!

Cada vez mais as concepções sobre envelhecimento têm mudado e as pessoas 60+ estão se reinventando, buscando novos hábitos, novas carreiras, novos sonhos e novas formas de se relacionar. Se você teve uma vida sexual ativa, essa fase da vida pode ser uma oportunidade para vivenciar novas experiências e outros jeitos de fazer sexo. Se você não teve a oportunidade de viver uma vida sexual prazerosa, também pode ser um momento de descobertas e novos aprendizados. Os benefícios são inúmeros, tanto para a saúde do corpo quanto da mente, proporcionando mais qualidade de vida e equilíbrio. Aproveite!

Para você se informar mais sobre sexualidade 

Filmes/séries: Gracie and Frankie (série Netflix), O método Kominski (série Netflix), Harold and Maude (1971), Alguém tem que ceder (2003), E se vivêssemos todos juntos? (2011),  Elsa e Fred (2014), Nossas noites (2017);

Livros: A casa dos budas ditosos (João Ubaldo Ribeiro), A história da menina perdida (Elena Ferrante);

Material didático: Cartilha do Idoso – Um guia para viver mais e melhor. pág 23 a 25. (Ministério da Saúde, 2006) ; http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_viver_mais_melhor_melhor_2006.pdf

Música: Conversa de botas batidas, Los Hermanos;

Vídeos: Sexo após os 60 – Théo Lerner https://www.youtube.com/watch?v=89LAcv7jUms

Dois: Amor e sexualidade na terceira idade https://www.youtube.com/watch?v=lAP7rq9x-WM

Como será? 60+: Amor e sexo entre os idosos https://globoplay.globo.com/v/6470318/

Por Mariane Coimbra

Como as perdas da vida podem ajudá-lo a crescer

Como as perdas da vida podem ajudá-lo a crescer

Perdas e ganhos fazem parte da vida e do nosso processo de amadurecimento. Mais do que nunca, esses tempos de pandemia estão colocando as pessoas à prova dos seus próprios limites, inclusive em relação às perdas. Perda de emprego, de um ente querido em função da Covid-19, da estabilidade emocional, financeira, da esperança e da rotina. Na contramão das perdas, vieram a ansiedade, angústia e medo. 

Independente do tipo de perda, fato é que as pessoas dificilmente estão preparadas para os percalços da vida. E ignorar o problema só o torna maior. É preciso assimilar a perda e vivê-la para que a pessoa consiga tirar dela algum proveito, uma lição de vida que vai ajudá-lo a seguir adiante. E sempre há o que se aprender, basta que você observe a questão com olhar mais atento, que vai além do problema em si. 

Nesse quesito, os 60+ se destacam. Os anos de vida já trouxeram a resiliência e a coragem necessárias para encarar de frente as adversidades. Isso não significa que os maduros não sofram, quer dizer apenas que a experiência apura o olhar e as reações diante dos acontecimentos. 

Alguns tipos comuns de reações às perdas

Não aceitação – Quando a pessoa ignora o problema, o coloca para debaixo do tapete. Traz ainda mais sofrimento e, muitas vezes, vitimismo e agressividade; 

Aceitação – Não é fácil, exige coragem, mas é o melhor a se fazer. Não finja que o sofrimento não existe, viva-o. Caso contrário, em determinado momento da sua vida, ele pode voltar ainda mais forte;

Gestão da perda – É quando a pessoa tem a capacidade de ressignificar aquela perda, olhando os aspectos positivos e negativos que a falta trará. Isso ajuda a ver os problemas de forma abrangente e racional, sem apequenar a perda e nem fazer dela um fantasma;

Aprendizado – Lembre-se de que todo sofrimento ou perda traz uma lição que te deixa mais forte e preparado para a vida. Encare dessa forma para que o aprendizado seja construtivo e menos doloroso. 

Quer saber mais sobre esse tema? Clique abaixo. 

Reflexões sobre a quarentena com o filósofo Mario Sergio Cortella

Reflexões sobre a quarentena com o filósofo Mario Sergio Cortella

O escritor e filósofo Mario Sergio Cortella, de 66 anos, deu uma excelente entrevista para a BBC Brasil, em que conta um pouco como tem vivenciado o momento de isolamento social e quais as reflexões está tirando desse contexto. 

Ele afirma que o período tem trazido boas lembranças da juventude e fala sobre a importância do cuidado com a vida coletiva:

“Se nós não dermos conta, enquanto nação, do cuidado com aqueles que são mais vitimados pela ausência de recursos financeiros, de emprego decente, de alimentação, de uma moradia saudável. Se nós não cuidarmos disso desde agora, haverá um aprofundamento desses fossos”, alerta o acadêmico, que defende que um dos papéis da filosofia é iluminar o caminho sobre os perigos em tempos de angústia como o atual.

Plano de Vida e Legado – Pesquisa Janno

Plano de Vida e Legado – Pesquisa Janno

Ter consciência da própria finitude pode ser um processo doloroso, mas também pode ser mais ameno com planejamento e organização. A Janno, startup que nasceu com a missão de ajudar as pessoas a viverem bem planejando o legado com leveza e independência, realizou uma pesquisa para compreender melhor como os brasileiros 50+ tem pensado sobre o assunto. 

Considerando que já temos mais de 50 milhões de brasileiros com mais de 50 anos e que cada vez mais essas pessoas estão querendo qualidade de vida e liberdade, a pesquisa buscou entender o que mudou nos planos de vida de quem hoje atinge a maturidade.

Foram entrevistadas 1.053 pessoas acima de 45 anos de todos os estados brasileiros e de todas as classes sociais, que puderam expressar suas opiniões e desejos sobre finitude e legado. 

Nos resultados da pesquisa é possível encontrar:

Plano de Vida: como os brasileiros 50+ pensam e se planejam para o futuro e seus principais medos e desafios;

Reflexões sobre o fim da vida: como os brasileiros 50+ refletem e discutem sobre a morte;

Contexto Covid-19: o que mudou no planejamento de fim da vida com a pandemia do Covid-19;

Planejamento da Finitude: como os brasileiros 50+ se planejam para o fim da vida, organizam seus documentos, o que pensam sobre testamento vital e principais produtos e serviços. 

Clique no link para conferir o relatório completo e conhecer mais sobre a Janno.

Do que é feita uma vida boa?

Do que é feita uma vida boa?

Já imaginou se um pesquisador pudesse acompanhar a vida inteira de uma pessoa para avaliar o desenvolvimento humano ao longo do tempo? Um grupo de pesquisadores de Harvard pensou nisso e decidiu estudar o que mantém as pessoas felizes e saudáveis, analisando suas vidas, desde a adolescência até a velhice. 

O Estudo de Desenvolvimento Adulto, pesquisa mais longa já realizada sobre esse tema, acompanha desde 1938 a vida de um grupo de homens para colher diversas informações sobre eles. Foram várias descobertas interessantes, e o diretor atual da pesquisa afirma: “A mensagem mais clara tirada do estudo é que bons relacionamentos nos mantém felizes e saudáveis”. 

Assista a essa conversa com o diretor da pesquisa e acompanhe nossos conteúdos do Rede 60+ para aprender mais sobre qualidade de vida!

💡Que tal buscar o que os relacionamentos tem a oferecer?

Com qual idade você se sente?

Com qual idade você se sente?

Nesse contexto da Covid-19, a mudança no ritmo de vida e diversas incertezas podem afetar a autopercepção, fazendo com que as pessoas se sintam mais velhas ou mais jovens e essa distorção pode gerar problemas.

Há uma diferença entre idade verdadeira – idade cronológica, da nossa certidão de nascimento – e idade subjetiva, que tem a ver com como nos sentimos.  É importante sabermos com qual idade as pessoas se sentem, pois isso pode influenciar a forma como um sujeito cuida de si mesmo e dos outros.

De acordo com as pesquisas, existem algumas possíveis consequências de nos sentirmos mais jovens ou mais velhos do que realmente somos. Essa percepção pode gerar um comportamento diferente perante a vida. As pessoas que se sentem mais jovens costumam cuidar melhor de saúde, praticar mais exercícios e serem mais flexíveis mentalmente e isso pode, de fato, interferir de forma positiva em sua vida e até fazê-lo viver mais. 

Em relação à Covid-19, essa percepção pode fazer com que você preste mais atenção na sua saúde e cumpra as regras de distanciamento social e outras recomendações para evitar o contágio pelo novo Coronavírus. Por outro lado, uma percepção muito distorcida pode levar uma pessoa idosa a ter comportamentos de risco, se colocando em situações que podem trazer perigo.

Lembre-se: o ideal é estar confortável e bem adaptado com sua própria idade, entendendo as potencialidades e limitações que isso traz. Quanto mais compreendermos a nós mesmos melhor poderemos utilizar nossos próprios recursos, independente de quais sejam.

Por Dra. Juliana Duarte