Por Juliana Duarte

Na maioria dos países onde a Covid-19 se disseminou, como faz agora no Brasil, houve rápida saturação do sistema de saúde, levando à sobrecarga do mesmo e à insuficiência de cuidados a pessoas que poderiam ter tido alguma chance de sobreviver.  Muito foi veiculado na imprensa internacional, a respeito do uso de marcos etários, eticamente muito discutíveis, para definir o acesso ou não à terapia intensiva. 

Não é ético deixar de oferecer os serviços de saúde aos mais velhos, simplesmente tendo como base a idade!

Do ponto de vista da saúde, sabemos que a velhice é extremamente heterogênea. Uma parte considerável das pessoas com mais de 80 anos, por exemplo, gozam de boa saúde,  tem poucas doenças, são ativas e tem uma reserva física suficiente para se recuperarem de situações graves e, até mesmo, de uma insuficiência respiratória. É essa capacidade de se recuperar frente a uma situação de maior gravidade, que deve definir a qual complexidade de tratamento a pessoa deverá ser submetida. 

Quando a pessoas tem a saúde fragilizada, apresenta diversas doenças crônicas, já se mostra dependente dos outros para a maior parte de suas necessidades básicas (como comer ou se locomover), provavelmente, diante de uma doença aguda grave, seu organismo sucumbirá e, um tratamento agressivo, fará mais mal do que bem. 

O que quero dizer com isso é que a idade não nos diz bem qual será o resultado do encontro de uma pessoa com uma doença infecciosa e potencialmente agressiva, já a fragilidade sim, essa nos diz. 

Uma área de atuação em Medicina que vem crescendo muito nos últimos anos é a Medicina Paliativa. O médico Paliativista cuida das pessoas em um momento de grande sofrimento, quando elas se encontram diante de doenças graves e ameaçadoras da continuidade da vida. Os médicos que atuam nessa área da medicina utilizam como um norteador de suas ações, o tratamento ideal para a pessoa em determinado momento, e sabe, que diante das doenças graves, esse tratamento muda constantemente. O tratamento não pode ser maior ou menor que a reserva de saúde da pessoa, se for menor, erra-se pela falta, se for maior, pelo excesso. Na medicina paliativa, o cuidado às pessoas que caminham para o fim de suas vidas, é atento aos mínimos detalhes e busca fazer com que o sofrimento seja minimizado e que a dignidade seja priorizada em todos os momentos.

Os profissionais de saúde que estão na linha de frente da atenção à saúde, precisam ser apoiados, por especialistas, tanto para saberem identificar o nível de fragilidade de seus pacientes e conseguirem indicar o tratamento proporcional a ele, quanto para cuidar de forma adequada, confortando e controlando as situações que se apresentarem nos momentos finais de vida, garantindo dignidade ao doente e sua família. 

Percebendo o enorme desafio da nossa população frente a esta pandemia, um grupo de 42 médicos de Belo Horizonte, especialistas em Medicina Paliativa e/ou Geriatria, com forte atuação nessa área, se organizou para multiplicar esse cuidado especializado. O trabalho se apoia em dois eixos, a tele-consultoria e a educação, e é direcionado aos profissionais da linha de frente da assistência. Essa iniciativa se chama Rede Paliativo BH e, os profissionais de saúde que necessitam dessa ajuda, poderão entrar em contato através do email redepaliativobh@gmail.com ou da conta @RedepaliativoBH no Instagram.