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A pandemia do novo coronavírus trouxe prejuízo para a saúde mental das pessoas, inclusive para a memória. Saiba porque é importante ficar atento a alguns sinais de esquecimento e o que fazer para melhorar a memória.

Esquecer faz parte da vida de todo mundo e nem sempre é sinal de doença. É importante saber quando esse esquecimento é normal e quando representa um sinal de que algo mais grave está acontecendo. Como você poderá saber se o seu esquecimento ou o de outro 60+ representa apenas “uma fase difícil” ou “um jeito mais tranquilo de ser”, e quando pode estar vindo de mãos dadas com uma doença, como a Demência de Alzheimer, por exemplo?  

O que é a memória

Antes de distinguir os tipos de esquecimento é preciso explicar a importância da nossa memória. Memória é a capacidade de adquirir, armazenar e recuperar informações. Para nos lembrarmos de algo precisamos vivenciar a experiência, guardá-la em nosso arquivo mental e depois conseguir encontrar o que foi guardado. Aristóteles já disse há 2000 anos: “Nada há no intelecto que não tenha estado antes nos sentidos”. 

A memória é apenas uma entre as diversas funções que o cérebro executa. Ele também é responsável pela linguagem, interpretação dos estímulos que recebemos do meio ambiente, capacidade de nos orientarmos no tempo e no espaço, de prestarmos atenção e nosso planejamento e execução de tarefas, entre outras funções. 

O que pode prejudicar sua memória

Quando alguém está muito ansioso ou quando estamos vivendo problemas que, literalmente, sequestram nossos pensamentos, nossa capacidade de ter atenção e concentração nas situações, e de armazenar novas informações fica prejudicada e será impossível recuperarmos aquela informação. É impossível encontrar algo que não foi guardado!

Em geral, os esquecimentos “benignos”, aqueles que acontecem mais em determinados momentos da vida e não indicam uma doença degenerativa cerebral, são causados pela desatenção, por estarmos vivendo no “piloto automático”, fazendo várias coisas ao mesmo tempo, sem focar nas tarefas que estamos fazendo. Tudo isso é muito frequente na atualidade. 

Quando o esquecimento é preocupante

Por outro lado, os esquecimentos que devem, de fato, gerar preocupação são aqueles com algumas características ou sinais de alerta. Para detectá-los, existem questionamentos simples a serem feitos:

  • O esquecimento está piorando progressivamente?;
  • O esquecimento começa a interferir na sua vida e você começa a precisar da ajuda de outras pessoas?; 
  • O esquecimento vem acompanhado de outras alterações nas funções do cérebro, como a orientação e isso faz você se perder em lugares familiares ou se confundir com datas?.

Esses esquecimentos sinalizam a existência de algo mais, provocado até por Demências, como o Alzheimer ou outros problemas de saúde, como a depressão, que pode piorar muito o funcionamento cerebral e causar esquecimento, desatenção e desorientação.

Os esquecimentos “benignos” não significam grandes preocupações, a não ser que se prolonguem por muito tempo ou causem sofrimento. Já os esquecimentos com as características citadas como sinal de alerta, devem ser avaliados e acompanhados por um médico especialista.

Sete dicas para melhorar nossa capacidade de atenção

  1. Planeje seu dia; 
  2. Organize as  tarefas; 
  3. Faça cada coisa de uma vez; 
  4. Esteja “inteiro” no que faz; 
  5. Reserve momentos de descanso e recreação
  6. Cuide do seu sono; 
  7. Pratique exercícios físicos e meditação; 

Todos esses hábitos, certamente, melhoram a saúde, atenção e concentração. 

É importante também levarmos em consideração o momento que vivemos atualmente. Estamos enfrentando uma época de enorme estresse causado pela pandemia pelo novo coronavírus. Neste momento, é de se esperar que aumentem as incidências dos problemas psíquicos, como a ansiedade e a depressão. E os sintomas podem se apresentar de diversas maneiras, alguns terão medo, outros prejuízos no sono ou poderão internalizar e somatizar o sofrimento psíquico e manifestar dores diversas, por exemplo. O esquecimento precisa ser lembrado como uma maneira de manifestação desses problemas. 

A capacidade de recordar é um patrimônio pessoal valioso e merece cuidado. O que seria da experiência humana se não fosse a capacidade de recordar e transmitir nossas vivências? Como a vida seria mais sem graça sem a lembrança do que foi escrito por poetas, como Carlos Drummond de Andrade em seu poema Memórias: “… Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.” E agora que você já sabe quando o esquecimento é sinal de doença e quando não é, o que pretende fazer para cuidar melhor de sua atenção e concentração?  Mãos à obra!

Por Dra. Juliana Duarte