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A distinção entre quais atendimentos devem ser mantidos durante o isolamento social e quais podem ser adaptados para a nova realidade é fundamental para a qualidade das pessoas idosas.

A pandemia do novo coronavírus impôs uma mudança de rotina em praticamente todos os segmentos da sociedade. Incertezas quanto ao futuro e mesmo sobre como proceder para se evitar o contágio pelo vírus são uma realidade em nosso país. O tema é complexo e estamos ainda com muito mais perguntas do que respostas. Certamente, de agora em diante, idas e vindas no processo de reabertura social serão verificadas com frequência.  

As incertezas continuam quando a questão é a manutenção de cuidados que a pessoa idosa mantinha antes da pandemia, já que muitas delas precisam de acompanhamento profissional. Não é raro encontrar maduros que contam com o trabalho de fonoaudiólogos, fisioterapeutas, cuidadores ou terapeutas. Há, ainda, aqueles que frequentam núcleos temáticos, como oficinas de trabalhos manuais, aulas de idiomas, costura, hidroginástica, musculação, Pilates e muitas outras atividades. 

Nova rotina – quando e quais atividades devem ser mantidas e o que evitar 

As respostas para essas perguntas não são simples e certamente não se aplicam de modo uniforme a todos os indivíduos. O envelhecimento afeta as pessoas de modo diferente e a máxima que diz que “cada caso é um caso” se aplica muito bem a essa questão. 

Assim, a necessidade e a indicação do cuidado, bem como os motivos que levaram a pessoa idosa a participar de um ou outro atendimento devem servir de critério para se definir sobre a suspensão ou não do atendimento. Idosos mais debilitados, com problemas que colocam o indivíduo em riscos de morte devem ter os seus tratamentos mantidos, como é o caso de pacientes com problemas respiratórios atendidos por fisioterapeutas ou aqueles submetidos a hemodiálise. Em outros casos, algumas perguntas devem ser feitas para a tomada de decisão mais assertiva. 

  • A suspensão do tratamento aumenta o risco de morte ou piora consideravelmente a qualidade de vida? 
  • É possível que o tratamento seja feito por um familiar sob supervisão on line
  • É possível reduzir o número de sessões presenciais? 

Certamente, o médico e o profissional que acompanham o 60+ devem ser ouvidos para ajudar a resolver esses questionamentos.    

Como manter atividades voltadas para o bem-estar

Além de cuidar dos problemas de saúde que podem colocar o 60+ em risco, também é necessário manter uma rotina de atividades voltadas para o bem-estar, porém levando em consideração a nova realidade de isolamento social imposta pela pandemia. E como fazer isso?

É possível realizar atividades em casa. Exercícios físicos, aulas virtuais, chamadas de vídeo em grupo e outras atividades devem ser estimuladas. Relatos de aumento de comprometimento da saúde mental de pessoas isoladas estão sendo divulgados e associados ao isolamento e a falta do que fazer durante os dias. Procurar se reinventar e preencher o tempo ocioso com atividades prazerosas.

Desigualdades sociais na pandemia 

Para a parcela 60 + da população o isolamento social é fundamental. O problema é que vivemos num país continental, com enormes desigualdades entre as várias camadas sociais da população. Uma publicação atribuída ao padre Fábio de Melo na internet diz que ”estamos todos na mesma tempestade, não no mesmo barco”. De fato, a percepção sobre isolamento pode variar muito, de acordo com a rotina de cada um. Assim, uma pessoa que precisa usar o transporte coletivo no horário de pico e trabalha como caixa em um supermercado pode ter uma percepção completamente diferente de uma pessoa que consegue trabalhar em casa (home work). O isolamento também é diferente para pessoas que moram em casas confortáveis em condomínios horizontais, se comparado a pessoas que moram em aglomerados com várias pessoas convivendo no mesmo ambiente. 

É impossível abordar em um único texto todas as situações possíveis. O mais importante seguir as recomendações das autoridades de saúde sobre os procedimentos a serem adotados e deixar de lado polêmicas políticas sobre o tema. Ainda não temos um remédio eficaz, ainda não temos vacina, não temos imunidade ao vírus, a doença é grave e já levou milhares de pessoas à morte em nosso país e no mundo. Não corra riscos desnecessários, lave bem as mãos, use máscara e não saia de casa, a não ser que seja estritamente necessário. Fique em casa!

Por André Castro