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Estamos no Junho Violeta, mês de combate à violência contra a pessoa idosa, e a Rede 60+ continua trazendo muita informação para conscientizar as pessoas sobre essa triste realidade. Já explicamos quais são os tipos de violência e agora vamos falar sobre as dificuldades encontradas na detecção das situações de abuso e sobre prevenção. 

Identificar um ato violento contra uma pessoa idosa não é tarefa fácil, porque, muitas vezes, quem sofre os maus tratos fica em silêncio por medo ou vergonha. Por isso, a família, amigos ou profissionais que cuidam dos 60+ podem encontrar diferentes obstáculos: 

Obstáculos por parte da vítima:

  • Negação ou aceitação dos maus tratos como algo normal;
  • Temor de possíveis punições; 
  • Sentimento de culpa, vergonha;
  • Chantagem emocional de quem pratica a violência; 
  • Portadores de déficit cognitivo (demência); 
  • Desconhecimento dos direitos, não saber a quem recorrer; 
  • Dependência do cuidador;
  • Isolamento social, acreditar que buscar ajuda é admitir o fracasso pessoal. 

Obstáculos por parte do responsável pelos maus-tratos:

  • Negação; 
  • Isolamento da vítima, impedindo o seu acesso aos serviços de assistência social e saúde; 
  • Temor do reconhecimento do fracasso; 
  •  Evitar qualquer tipo de intervenção ou ajuda.

Obstáculos por parte dos profissionais:

  • Falta de capacitação ou treinamento adequado para identificar corretamente os sinais e indicadores de violência, os procedimentos adequados e fluxos de encaminhamentos para conseguir ajuda; 
  • Falta de protocolos para detecção, avaliação e intervenção nos casos; 
  • Falta de meios adequados para diagnosticar de forma diferencial entre os maus tratos e situações clínicas nas quais o idoso apresenta lesões, traumatismos, desidratação, desnutrição, quedas, etc; 
  • Acreditar que a família sempre dispensa os cuidados necessários ao idoso;
  • Temor de vir a sofrer represálias por parte do agressor; 
  • Não desejar se envolver em questões legais e desconhecer os recursos disponíveis. 

Obstáculos socioculturais: 

  • Idadismo (preconceito contra a idade) – desfavoráveis às pessoas idosas, considerando seus direitos menos importantes que os das pessoas “mais produtivas”;  
  • Falta de sensibilização ou de informação sobre os maus tratos; 
  • Valores culturais: os conflitos familiares devem ser resolvidos internamente, avaliando de forma negativa a interferência de pessoas estranhas. Desta forma, os observadores (vizinhos, profissionais e amigos), tendem a não se envolverem, tratando o assunto como se fosse uma questão pessoal.

Em alguns casos, a violência contra a pessoa idosa não é intencional, ela é resultado do despreparo da família ou dos profissionais ao cuidar dos 60+. 

No entanto, em caso de exageros e intencionalidade, os abusos devem ser denunciados via Disque 100 ou pela 190, telefone da polícia. 

Fonte: Guia de Atendimento à Pessoa Idosa em Situação de Violência da Prefeitura de Belo Horizonte